Relacionamento Com Borderlines

Se você se relaciona ou se relacionou com alguém que que tinha a síndrome de borderline deve saber que as coisas não são muito fáceis.

Cuidar de alguém com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é viver em em uma montanha-russa onde ora é amado e elogiado, ora é abandonado e maltratado.

Ser um borderline (ter TPB) também não é um mar de rosas. Você vive em uma insuportável dor psíquica na maior parte do tempo. Em casos graves, na fronteira entre a realidade e a psicose.

Sua doença distorce suas percepções causando um comportamento antagônico e torna o mundo um lugar muito perigoso. A dor, o terror do abandono e dos sentimentos indesejados podem ser tão grandes que às vezes chega a pensar o suicídio pode parecer uma escolha (obviamente não é!).

Se você gosta de drama, emoção e intensidade, aproveite o passeio, afinal as coisas nunca serão calmas. Após um começo apaixonado e imediato, espere um relacionamento tempestuoso que inclui acusações, raiva, inveja, intimidação, controle e desmembramento devido à insegurança do borderline.

Nada é cinza ou gradual. Para limites, as coisas são preto e branco. Eles têm a personalidade de Jekyll e Hyde (de O Médico e o Monstro) por excelência.

Flutuando dramaticamente entre idealizar e desvalorizar você, eles podem repentinamente e esporadicamente mudar ao longo do dia. Você nunca sabe o que ou quem esperar.

As variações no relacionamento com um borderline

As emoções intensas e instáveis dos borderlines te poem para cima quando eles estão de bom humor e te esmagam quando não estão. Para eles, você é um príncipe ou uma princesa mas, de repente, um canalha ou uma vadia.

Se você discutir com eles, todos os sentimentos ruins deles serão projetados em você. Eles podem ser vingativos e punir você com palavras, silêncio ou outras táticas. Podem ser manipuladores e também muito destrutivos para a sua autoestima.

Ao contrário do Transtorno Bipolar, seu humor muda muito rapidamente, isso faz parte da sua personalidade. Ou seja, o que você vê neles é regra.

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Suas emoções, comportamento e relacionamentos instáveis, incluindo sua história de trabalho, refletem uma auto-imagem frágil, baseada na vergonha, muitas vezes marcada por mudanças repentinas. Às vezes, à medida em que se sentem inexistentes, são agravadas quando estão sozinhos.

A hipervigilância

Eles são dependentes dos outros e podem procurar conselhos frequentemente. Às vezes, de várias pessoas no mesmo dia e fazendo a mesma pergunta.

Eles estão desesperados para serem amados e cuidados. São hipervigilantes para quaisquer sinais reais ou imaginários de rejeição ou abandono. Nisso podemos citar, como exemplo, se você se atrasar, cancelar um compromisso ou falar com alguém que eles acreditam ser um “competidor”.

Distorções da realidade

Para eles, a confiança é sempre um problema, muitas vezes levando a distorções da realidade e à paranoia. Você é visto como a favor ou contra eles e deve tomar o seu lado.

Cena do filme Gaslight, de 1940.

Não se atreva a defender seu inimigo nem tente justificar ou explicar qualquer pequena desfeita que ele afirme ter sofrido. Eles podem tentar levá-lo a ficar com raiva e, depois, acusá-lo falsamente de rejeitá-los. Podem fazer você duvidar da realidade e da sua sanidade mental (como no filme À Meia Luz – Gaslight – abaixo), e até fazer lavagem cerebral em você.

O medo do abandono

Em seu desespero por atenção e cuidados, eles podem se comportar de uma maneira que pareça manipulação emocional. Cortar o relacionamento com amigos e parentes que os “traem” é algo comum.

Eles reagem aos seus profundos medos de abandono com um comportamento carente e pegajoso, ou então com a raiva e a fúria que refletem sua própria realidade distorcida e auto-imagem.

Por outro lado, eles também temem uma conexão romântica que eles mesmos tentam criar, pois têm medo de serem dominados ou engolidos por ter muita intimidade.

Não tão perto, nem tão longe

Em um relacionamento próximo, eles parecem andar na corda bamba, equilibrando entre o medo de ficar sozinho e de estar próximo demais. Para fazer isso, eles tentam controlar com comandos ou manobras indiretas. Incluindo nisso o uso da lisonja e da sedução, para seduzir seu parceiro, e o uso de raiva e da rejeição para mantê-lo a uma distância segura.

Enquanto os narcisistas gostam de ser compreendidos, muita compreensão amedronta os borderlines.

Borderlines são codependentes e buscam pessoas assim também

Geralmente, os borderlines são codependentes e buscam outro codependente para se juntar, pois este pode ajudá-los.

Eles procuram alguém que forneça estabilidade e equilibre sua emotividade variável. Codependentes e narcisistas são autossuficientes e controlam seus próprios sentimentos, portanto são uma combinação perfeita.

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Eles são facilmente seduzidos pela extrema abertura, charme e vulnerabilidade dos borderlines. Além disso, a paixão e as emoções intensas dos borderlines são animadoras para os não-borderlines, que acham que ficar sozinho é deprimente ou entediante. Esses parceiros ganham vida através do melodrama proporcionado pelo borderline.

O borderline pode parecer o mais prejudicado no relacionamento, enquanto seu parceiro é o superior, estável, que não necessita de cuidados. Mas, na verdade, ambos são codependentes um do outro.

A autoestima

Pode ser difícil para qualquer um deles sair do relacionamento. Cada um deles exerce o controle, mas de maneiras diferentes. Codependentes também anseiam por amor e têm medo do abandono.

Codependentes também têm baixa autoestima e são limitados, então eles se acomodam e pedem desculpas quando atacados, a fim de manter a conexão emocional no relacionamento. Muitas vezes eles se tornam cuidadores fazendo isso a ponto de se sacrificar.

No processo, eles cedem cada vez mais controle ao borderline e assim fortalecem sua baixa autoestima e a codependência do casal. Entregar-se ao parceiro e dar-lhe o controle não faz com que nenhum deles se sinta mais seguro, bem pelo contrário.

Limites podem ajudar

Borderlines precisam de limites. Estabelecer um limite pode, algumas vezes, tirá-los do pensamento ilusório. Pedir para que provem o que estão dizendo também pode ser útil. Ambas as estratégias exigem que os codependentes melhorem sua autoestima, aprendam a ser assertivos e obtenham apoio emocional externo.

O relacionamento pode melhorar se o parceiro tomar medidas para curar sua codependência.

Saiba mais sobre a síndrome de borderline

Como todos os transtornos de personalidade, o TPB existe em diversos níveis, de leve a grave. Afeta mais as mulheres do que os homens e cerca de dois por cento da população mundial.

O transtorno de personalidade borderline é geralmente diagnosticado na idade adulta jovem, quando há um padrão de impulsividade e instabilidade nos relacionamentos, na auto-imagem e nas emoções.

Muitas vezes quem sofre com este transtorno acaba buscando no álcool, na comida, nas drogas ou em outro vício uma forma de automedicar a dor, porém isso só faz com que ela aumente.

Uma boa ideia para manter um relacionamento com alguém que sofre com a síndrome de borderline é buscar ajuda de um terapeuta. O portador da síndrome também deve fazer tratamento, assim poderá melhorar sua qualidade de vida e seus relacionamentos.

Atenção!

O conteúdo deste site tem caráter meramente informativo e não substitui uma consulta a um profissional da saúde.

Procure sempre um médico ou psicólogo.

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