Você Sabe o que É A Síndrome de Borderline?10 min read

Você certamente já deve ter ouvido falar na síndrome de borderline, não é mesmo? Esta doença ficou famosa principalmente depois de uma novela que passou na televisão. Apesar de ter sido divulgado o nome do transtorno, para a maioria não ficou claro o que é esta doença.

Várias definições são dadas por pessoas leigas (algumas por pessoas não tão leigas assim), cada uma bem diferente  da outra. Por isso pergunto: você sabe o que é esta síndrome? Sabe quais são os seus principais sintomas?

Leia este artigo até o final e não só entenderá melhor este distúrbio como também saberá como ajudar alguém que sofre deste mal. E não esqueça de deixar o seu comentário no fim da página!

O que é a síndrome de borderline?

Antes de falar sobre a síndrome, é importante saber que ela também é conhecida como transtorno de personalidade limítrofe ou transtorno de personalidade borderline (TPB). Para simplificar chamarei também de transtorno borderline.

De um jeito simplificado, podemos dizer que o transtorno borderline é uma doença mental que, entre outras coisas:

  • Faz com que seja difícil para uma pessoa sentir-se confortável consigo mesma;
  • Causa problemas para controlar emoções e impulsos;
  • Causa problemas de relacionamento com outras pessoas.

As pessoas com transtorno borderline têm elevados níveis de sofrimento e raiva. Elas podem facilmente se ofender com qualquer coisa que outras pessoas façam ou digam, mesmo que a intenção não fosse, nem de longe, ofender.

Portadores da síndrome de borderline sofrem com pensamentos dolorosos e crenças (geralmente distorcidas) sobre si mesmos e sobre outras pessoas. Muitas vezes acabam prejudicando-se por causa destas crenças. Isso pode causar angústia na vida profissional, na vida familiar e na vida social.

Para a maioria das pessoas com TPB, os sintomas começam durante a adolescência ou na juventude, mas depois melhoram durante a vida adulta.

É importante saber que o Transtorno de Personalidade Borderline é uma condição do cérebro e da mente. Ter TPB não é culpa da pessoa, nem foi alguém que causou isso.

Por que tem este nome?

Provavelmente você também já tenha se feito esta pergunta. O nome desta doença inclui a palavra incomum “borderline” (fronteira) por motivos históricos.

No passado, as doenças mentais eram categorizadas como “psicoses” ou “neuroses“. Quando os psiquiatras escreveram pela primeira vez sobre o transtorno borderline, ele não se enquadrava em nenhuma dessas duas categorias. Mas, segundo eles, ela pertencia a uma linha imaginária entre esses dois grupos de doenças. Em outras palavras, ficava na “fronteira”.

O que causa transtorno de personalidade limítrofe?

As causas exatas de TPB ainda são desconhecidas. Provavelmente seja causado por fatores genéticos e condições ambientais adversas – não apenas um ou outro. Desta forma, ainda não é possível prever quem irá desenvolver a síndrome de borderline.

Para uma pessoa que é naturalmente muito sensível, os problemas da vida podem ser especialmente prejudiciais enquanto se desenvolvem. Esses problemas podem incluir más experiências ou sofrer com outros distúrbios mentais.

Homem agarrado à perna da sua mulher tentando impedi-la de partir

Borderline teme ser deixado e faz grandes esforços para evitar que isso aconteça

Sintomas da síndrome de borderline

Em geral, pessoas com TPB terão vários destes sinais ou sintomas:

  • São propensas a temer que outras pessoas possam deixá-las. Isso pode fazer com que elas façam esforços homéricos para evitar ser abandonadas por outras pessoas. Isto inclui situações em que pessoas que não sofrem do transtorno não se sentiriam decepcionadas ou não considerariam algo pessoal.
  • Tem relacionamentos que são extraordinariamente intensos e instáveis. Por exemplo, idealizam a outra pessoa, e depois desprezam-se intensamente.
  • São muito inseguras sobre si mesmos – não sabendo realmente quem são ou o que pensar sobre si mesmos.
  • Assumem riscos ou agem de forma impulsiva, às vezes de formas que podem ser perigosas (por exemplo, não pensar antes de gastar dinheiro, comportamento sexual de risco, uso abusivo de drogas ou álcool, direção perigosa ou compulsão alimentar).
  • Repetidamente prejudicam-se, mostrando comportamento suicida ou frequentemente falando e pensando em cometer suicídio.
  • Passam por uma grande e intensa instabilidade afetiva, com períodos de depressão ou de ansiedade e irritabilidade exageradas. Isto pode levar apenas algumas horas, mas pode durar mais tempo, como alguns dias.
  • Tem um sentimento persistente de estar “vazio” por dentro.
  • Sentem uma raiva que é excepcionalmente intensa e desproporcional a qualquer coisa que a tenha desencadeado, e são incapazes de controlá-la. Por exemplo, tendo ataques de temperamento ou entrando em brigas.
  • Quando estressados, tornam-se altamente desconfiadas dos outros ou experimentam sentimentos incomuns de se separar de suas próprias emoções, corpo ou ambiente.

Mitos sobre o transtorno limítrofe

Mito: a síndrome de borderline não existe.
Realidade: O TPB é um padrão de comportamento e de sintomas que podem ser reconhecidos por profissionais de saúde treinados e experientes.

Mito: as pessoas com diagnóstico de TPB têm transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).
Realidade: TPB e TEPT são coisas distintas. Eles são diagnosticados de diferentes maneiras e têm diferentes tratamentos. Algumas pessoas com TPB também podem ter TEPT, mas a maioria não tem.

Mito: uma pessoa com TPB não deve ser informada do seu diagnóstico.
Realidade: Ser diagnosticada corretamente ajuda as pessoas a encontrar o tratamento certo. Saber que eles sofrem da síndrome de borderline também pode ajudá-los a entender suas experiências. A maioria das pessoas com TPB fica aliviada ao saber que elas sofrem de um problema de saúde mental conhecido, pois assim poderão tratá-lo.
No passado, alguns médicos acreditavam que não era útil dizer a alguém que ele tinha TPB e mantinham o diagnóstico em segredo. Eles costumavam fazer isso porque achavam que isso protegeria seus pacientes de atitudes negativas na comunidade e dentro do sistema de saúde mental.
Hoje, os especialistas da TPB acreditam que não contar o diagnóstico a um borderline é uma forma de discriminação. Afinal, atualmente esperamos informações honestas e precisas de nossos profissionais da saúde.

Mito: o TPB é sempre causado por abuso infantil.
Realidade: As pessoas podem desenvolver o transtorno de personalidade limítrofe mesmo que não tenham sofrido abuso infantil ou qualquer outro trauma infantil. Os profissionais de saúde não devem assumir que todos com TPB experimentaram esse tipo de trauma.
Muitas pessoas com TPB relatam dificuldades em sua criação, o que pode incluir não sentirem-se importante para os outros, negligência, abuso físico ou abuso sexual. Porém, há também quem teve experiências ruins durante a infância e que não desenvolveu o transtorno de personalidade limítrofe.
No passado, pesquisadores e médicos se concentraram em algum trauma como causa de TPB, mas pesquisas mais recentes mostram que a TPB tem múltiplas causas e nem sempre inclui um trauma. Por exemplo, fatores genéticos podem tornar uma pessoa extremamente sensível emocionalmente.

Mito: não há tratamento para a síndrome de borderline.
Realidade: o TPB pode ser tratado de forma eficaz com tratamentos psicológicos, incluindo alguns tratamentos que foram desenvolvidos especialmente para o TPB.

Mito: O único tratamento eficaz para o TPB é o tratamento psicológico a muito longo prazo (psicoterapia).
Realidade: Pesquisas atualizadas mostram que tratamentos bem estruturados e mais curtos podem ser efetivos para muitas pessoas.

Uma mulher com raiva e a legenda "Podem sentir uma raiva excepcionalmente intensa e desproporcional a qualquer coisa que a tenha provocado"

Como é diagnosticado o transtorno de personalidade limítrofe?

Fazer o diagnóstico de um transtorno mental não é tarefa fácil, ainda mais quando não há um teste para o TPB. Por isso somente um profissional de saúde (médico ou psicólogo), depois de conversar com a pessoa e conhecê-la, pode diagnosticá-la.

Se alguém tiver sinais da síndrome de borderline, seu médico ou psicólogo perguntará cuidadosamente sobre sua vida, sobre suas experiências e sintomas antes de fazer o diagnóstico.

Alguns dos sintomas do transtorno limítrofe são semelhantes aos de outras doenças, como os da depressão, por exemplo. Portanto, para ter certeza do diagnóstico, o profissional pode levar mais de uma sessão para chegar a ele.

Mas para que você compreenda, considera-se que uma pessoa sofre do transtorno de personalidade borderline quando ela tem vários sinais ou sintomas da doença, não apenas um ou outro.

Pessoas diferentes, sintomas diferentes

É importante que você entenda que existem muitas combinações das características deste distúrbio. Ou seja, uma pessoa com diagnóstico de TPB pode ter sintomas bem diferentes de outras com o mesmo diagnóstico.

Outra coisa que é bom saber: a síndrome de borderline geralmente não é diagnosticada em crianças antes da puberdade.

Vídeo sobre o transtorno borderline

Esta é uma reportagem muito interessante que passou no programa Hoje em Dia, da Record. Vale a pena assistir pois esclarece um pouco mais sobre o assunto. Nela podemos ver o depoimento de uma pessoa que sofria com esta doença. Assista, você certamente vai gostar!

Obtendo ajuda para transtorno de personalidade limítrofe

Quanto mais cedo a pessoa receber ajuda, mais chances ela tem de obter o diagnóstico correto e de realizar um tratamento efetivo que ajude a gerenciar seus problemas.

Não pense duas vezes nem adie a busca por um psicólogo ou psiquiatra, somente eles poderão te ajudar, e esta ajuda é importante. Não deixe a situação se agravar, o quanto antes procurar um profissional, melhor.

Um rapaz conversando com sua psicoterapeuta

A psicoterapia é o tratamento mais indicado para o transtorno limítrofe

Tratamento

A melhor forma de tratar o TPB é a psicoterapia. Este tipo de tratamento geralmente envolve falar com um profissional de saúde individualmente ou, em alguns casos, frequentar grupos especiais.

Medicações não são recomendadas como o principal tratamento da pessoa para TPB. Perceba que isso não quer dizer que não podem ser usadas.

Recuperação

Com o tratamento, a maioria das pessoas com TPB tem diminuição de seus sintomas pelo menos em uma parte do tempo. Se alguém recupera, há uma boa chance de que não desenvolva os sintomas novamente. A maioria das pessoas descobre que seus sintomas melhoram dentro de alguns anos após o diagnóstico.

Muitas pessoas conseguem manter uma boa vida social e vida profissional. Porém, algumas pessoas ainda têm problemas com o trabalho e a vida social, mesmo que seus sintomas tenham diminuído.

Considerações finais

Se você tem alguns dos sintomas descritos acima deve procurar ajuda de um profissional. Lembre que o tratamento é diferente para cada pessoa, portanto, nada de basear-se em experiências alheias.

É muito importante saber que o autodiagnóstico nunca é aconselhável e é perigoso, dado que existem diversas doenças mentais com sintomas parecidos. Somente um profissional da saúde saberá te ajudar a encontrar o caminho certo para o tratamento, se for o caso.

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