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O que é fobia social12 min read

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Você já deve ter ouvido falar, mas sabe realmente o que é o transtorno ansiedade social (TAS), também conhecida como fobia social? Sabe quais são seus sintomas e quais suas prováveis causas?

Muitas pessoas se sentem nervosas em algumas situações sociais. Conhecer novas pessoas, ir a um encontro, fazer uma apresentação – quase todo mundo já experimentou a ansiedade que essas situações podem provocar.

No entanto, o que caracteriza a fobia social é um medo acentuado, intenso e persistente de situações sociais. Este medo pode ser diferenciado do medo mais comum que acompanha algumas situações desconfortáveis.

A ansiedade associada ao TAS não apenas interfere nas relações sociais do indivíduo, mas também em suas atividades cotidianas e profissionais.

Veremos neste artigo o que é a fobia social e quais são seus sintomas. Falaremos também sobre algumas das prováveis causas e o que você pode fazer para enfrentar o problema e ter qualidade de vida.

Leia o artigo todo e depois compartilhe! Ajude a espalhar informações sobre estes transtornos que ainda são alvos de preconceitos e que são estigmatizados pela falta de conhecimento das pessoas!

O que é o transtorno de ansiedade social?

O transtorno de ansiedade social (TAS), também conhecido como antropofobia, é um distúrbio caracterizado por um medo persistente e esmagador de situações sociais. É muito mais do que uma simples “timidez”.

Falar em público é um dos maiores desafios para quem sofre de ansiedade social.

Quem tem esse transtorno muitas vezes se preocupa em ser julgado negativamente pelos outros. Pode se sentir observado em situações sociais, o que o deixa ansioso. Isso pode ser debilitante pois até as atividades cotidianas simples podem se tornar um fardo.

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Estas situações sociais não são necessariamente um evento especial, pode ser algo simples, como comer em local público ou então falar em público. Como exemplos de atividades que se tornam um problema para quem sofre des, podemos citar:

  • Conhecer pessoas novas
  • Conversar em grupos ou iniciar uma conversa
  • Falar ao telefone
  • Trabalhar
  • Falar com pessoas que têm autoridade
  • Falar em público
  • Comer ou beber com alguém
  • Fazer compras
  • Usar banheiros públicos

O medo e a ansiedade se caracterizam por não serem proporcionais à ameaça real da situação.

Algumas consequências do TAS

A ansiedade social pode impedir a pessoa de fazer as coisas que ela quer fazer. É um distúrbio invasivo que causa medo na maioria das áreas da vida de uma pessoa. Muitas vezes começa durante a infância ou a adolescência e está frequentemente ligado à baixa autoestima.

As pessoas com fobia social entendem que o medo é irracional, mas a ansiedade persiste. Ou seja, mesmo que a pessoa enfrente diariamente seus medos, a ansiedade aparece quando precisa fazer uma ligação telefônica no trabalho, por exemplo.

Enquanto outros transtornos mentais causam sintomas de antropofobia (por exemplo, sudorese, palpitações ou ataques de pânico), o transtorno de ansiedade social refere-se apenas a indivíduos que especificamente evitam ou temem situações sociais.

A fobia social vista pelos outros

As pessoas que desconhecem o problema normalmente tem uma visão distorcida da pessoa que sofre com a fobia social. Em geral, podem pensar que o portador de TAS é:

  • Desinteressado
  • Frio
  • Quieto
  • Tímido
  • Hostil

Mesmo que a pessoa queira fazer amigos e se envolver mais em atividades sociais, sua ansiedade social pode estar parando-a, atrapalhando suas relações sociais.

O que causa o transtorno de ansiedade social?

Da mesma forma que acontece com muitos dos transtornos mentais, o transtorno de ansiedade social é provavelmente o resultado de uma combinação de fatores genéticos e ambientais.

Genética

É mais provável que você sofra do transtorno de antropofobia se um familiar próximo também sofrer disso. Porém, ainda é incerto se isso está relacionado à genética ou se é um comportamento aprendido.

Comportamento dos pais

O comportamento dos pais também pode influenciar o filho a desenvolver fobia social. Se a pessoa tem pais ansiosos ou pais que se preocupam muito, isso pode afetar a sua capacidade de lidar com a ansiedade durante a infância, a adolescência e a idade adulta.

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Pessoas com transtorno de ansiedade social geralmente descrevem seus pais como:

  • Super-protetores
  • Não carinhosos o suficiente
  • Constantemente criticando-as e preocupando-se que elas possam fazer algo de errado
  • Pais que supervalorizam a importância das boas maneiras e de estar bem arrumado
  • Pais que exageram o perigo de aproximar-se de estranhos

Experiência negativa precoce

Eventos sociais no início da vida podem provocar a ansiedade social. Por exemplo, bullying, abuso, constrangimento durante uma situação social (como esquecer as palavras em uma apresentação e ouvir os outros rirem por causa disso).

Isso pode gerar a preocupação de que situações sociais semelhantes venham a produzir o mesmo resultado. Dessa forma, a pessoa começa a evitá-las e a temê-las – quanto mais uma situação for evitada, mais medo terá dessa situação e de outras semelhantes.

Teoria Evolutiva

O ser humano é uma espécie social, precisa passar tempo com outros seres humanos. Isso explica que não queiram aborrecer os outros nem querem correr o risco de serem rejeitados.

Indivíduos com fobia social podem ser excessivamente sensíveis a serem vistos negativamente devido ao risco e às consequências da rejeição, como solidão e a depressão.

Sintomas de ansiedade social

Os principais sintomas de fobia social podem ser separados em quatro grupos: sintomas cognitivos, físicos, emocionais e comportamentais. Abaixo veremos cada um deles.

Sintomas cognitivos

Se a pessoa sofre do transtorno de ansiedade social, muitas vezes experimenta pensamentos negativos e se preocupa com:

  • Envergonhar-se na frente dos outros.
  • Todas as coisas que poderiam “dar errado” em um evento social previsto.
  • Ser criticado ou ridicularizado.
  • Ser julgado negativamente.
  • Que os outros percebam como ela está está ansiosa ou que seus sintomas físicos sejam visíveis.
  • Soar chato, estúpido, incompetente – a pessoa tem uma visão negativa de si mesmo, fazendo com que se preocupe com o que os outros verão.
  • Ser rejeitado.
  • Falar a pessoas que tenham algum tipo de autoridade – ela pode acreditar que essas pessoas são superiores e que ela é inferior.
  • A situação social, antecipada de forma excessiva – isso pode acontecer até semanas antes do evento.
  • Aborrecer ou ofender outras pessoas.
  • O “pós situação social” – a pessoa fica julgando o próprio “desempenho” durante a situação social. Ela fica pensando repetidamente sobre o que fez de errado e o que deveria ter feito, por exemplo. Coisas como “Por que eu disse isso? É uma coisa tão embaraçosa de se dizer. Eu não deveria ter comentado”.
  • Ser o centro das atenções.
  • Pessoas observando-a, por exemplo, quando ela entra em uma sala de aula cheia de alunos.

Sintomas emocionais

Um dos sintomas da fobia social é a pessoa ser envergonhada.

Os sintomas emocionais que a pessoa com ansiedade social pode ter incluem sentir-se:

  • Envergonhada
  • Insegura
  • Nervosa
  • Ansiosa
  • Temerosa
  • Vulnerável
  • Assustada

Sintomas físicos

Os sintomas físicos da ansiedade social são os mesmos da TAG (transtorno de ansiedade generalizada), porque a mesma resposta ao estresse é acionada.

Quando nos sentimos ansiosos, nosso corpo libera hormônios do estresse, incluindo o cortisol e a adrenalina. Este é a maneira do corpo nos preparar para responder a uma ameaça ou perigo percebido.

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É o que acontece, por exemplo, quando freamos imediatamente se alguém aparece na frente do carro. Esses hormônios produzem sintomas fisicamente desagradáveis, como aumento da frequência cardíaca e tensão muscular.

Acredita-se que essa resposta tenha um histórico evolutivo porque teria sido benéfica em ambientes pré-históricos e ainda é útil em situações perigosas.

Mas quando você tem fobia social, as situações sociais são percebidas como ameaças, de modo que essa resposta pode ser acionada com frequência e com facilidade. Por esta razão que isso é um problema, pois não há nenhum perigo real.

Os sintomas físicos incluem:

  • Suar
  • Aumento da frequência cardíaca ou palpitações
  • Tontura
  • Peito apertado ou doloroso
  • Garganta e boca secas
  • Precisar ir ao banheiro
  • Voz trêmula
  • Rubor
  • Alterações respiratórias
  • Dormência ou formigamento nos dedos dos pés e das mãos
  • Contrair músculos, especialmente no rosto e pescoço
  • Tremores
  • Sentir o estômago revirando (borboletas no estômago)
  • Dificuldade para engolir
  • Náuseas
Suar é um dos sintomas físicos da antropofobia (fobia social).

Sintomas comportamentais

E, finalmente, os sintomas comportamentais da ansiedade social. A pessoa pode:

  • Evitar situações temidas, como evitar comer fora ou deixar empregos que exijam que ela fale em público.
  • Ter retração social.
  • Fazer uso indevido de drogas ou de álcool para tentar reduzir a ansiedade.
  • Evitar contato visual.
  • Falta de assertividade.
  • Abandonar ou fugir de situações sociais rapidamente.
  • Ter desempenho prejudicado no trabalho
  • Adotar comportamentos de segurança – comportamentos que fazem a pessoa sentir-se segura em algumas situações. Como exemplos podemos citar o uso de maquiagem para esconder seu rubor ou então levar um amigo para festas, sem avisar.
  • Ter problemas com relacionamentos interpessoais.

Como tratar o transtorno de ansiedade social

Pesquisas mostraram que, sem tratamento, a antropofobia é uma condição crônica. Mas apenas cerca de metade dos adultos que sofrem de fobia social procuram tratamento e, quando o fazem, geralmente é depois de 15 a 20 anos tendo os sintomas. É provável que isso se deva ao fato de que eles:

  • Não tenham informações sobre os tratamentos
  • Acreditem que isso não pode melhorar
  • Têm medo de serem julgados pelo profissional da saúde

No entanto, há uma variedade de tratamentos disponíveis. Entre eles, podemos citar:

Realidade Virtual (RV)

A realidade virtual pode ser uma ótima maneira de vivenciar situações sociais na segurança da sua casa. A tecnologia o envolve em ambientes realistas, onde você pode praticar conversando com multidões, respondendo a perguntas para membros virtuais, ficando em pódios diante de centenas de pessoas e muitas outras situações.

Existem alguns bons aplicativos de realidade virtual por aí. Tudo o que você precisa é do seu telefone celular e de um óculos de realidade virtual com fone de ouvido, como o Google Cardboard, que pode custar apenas R$ 30,00 ou menos (ou pode ser feito em casa).

Como exemplo podemos citar o VirtualSpeech (infelizmente só em inglês), que pode ajudar o indivíduo a sentir-se mais confortável em situações como uma reunião ou em palestras.

Aplicativo VirtualSpeech VR para ansiedade social
O APP VirtualSpeech de realidade virtual pode ajudar a pessoa com ansiedade social. Porém só tem uma versão em inglês, ao menos por enquanto.

Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)

A Terapia cognitivo-comportamental é um dos tratamentos mais eficazes para o TAS.

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Geralmente, a TCC ajuda a identificar crenças e padrões comportamentais inúteis e irrealistas. Você e seu terapeuta trabalham juntos para mudar o seu comportamento e substituir as crenças inúteis por outras mais realistas e equilibradas.

A terapia cognitivo-comportamental ensina novas habilidades e ajuda o indivíduo a entender como reagir mais positivamente em situações que normalmente ficaria ansioso.

As sessões de terapia podem incluir o aprendizado sobre ansiedade social, exposição gradual a situações sociais temidas, examinando e modificando suas crenças básicas e ajudando a prevenir recaídas.

A TCC envolve um compromisso de tempo considerável. A quantidade exata de tempo necessária pode variar, dependendo da condição específica do paciente e da resposta à terapia. Um exemplo é de 15 sessões de uma hora, mais uma de 90 minutos. No entanto, você pode precisar de mais ou de menos sessões, ou então precise de menos sessões com maior duração.

Antidepressivos

Para algumas pessoas uma medicação antidepressiva pode ser benéfica. Geralmente um inibidor seletivo de recaptação de serotonina (ISRS), ou ainda uma combinação de medicamento e terapia cognitivo-comportamental individual. Os ISRSs aumentam o nível de serotonina no seu cérebro e eles podem ser tomados a longo prazo.

Como com todos os antidepressivos, os inibidores seletivos de recaptação de serotonina podem levar várias semanas para começar a funcionar. A pessoa geralmente começará com uma dose baixa, que gradualmente será aumentada à medida que seu corpo se acostumar com o medicamento.

Psicoterapia

Se nada do que foi apresentado acima for adequado para o paciente, seja qual for o motivo, ele poderá fazer psicoterapia interpessoal ou psicoterapia de curto prazo especificamente projetada para transtorno de ansiedade social.

A psicoterapia geralmente envolve conversar com um terapeuta treinado, individualmente, em grupo ou com o cônjuge ou parceiro. Ele permite que o indivíduo tenha uma visão mais aprofundada dos seus problemas e das suas preocupações. Lidará, desta forma, com hábitos incômodos e uma ampla gama de transtornos mentais.

A psicoterapia de curto prazo para o transtorno de ansiedade social visa melhorar as habilidades sociais da pessoa e encorajá-la a enfrentar as situações sociais temidas fora das sessões de terapia.

Fobia Social e Síndrome do Pânico

É preciso esclarecer que a fobia social e a síndrome do pânico são coisas diferentes. A síndrome do pânico causa uma sensação de desmaio ou uma sensação muito forte de morte. Já a fobia social é caracterizada, como foi dito, por um medo intenso de situações sociais. Apesar de parecerem sintomas parecidos, não são.

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A periodicidade com que acontecem também é diferente. As crises de ansiedade social são bem frequentes, afinal, qualquer situação social pode ser um gatilho.

Outra coisa que difere os dois transtornos são os fatores que os desencadeiam. Quem tem síndrome do pânico tem suas crises em situações muito específicas. Por outro lado, quem tem ansiedade social apresenta os sintomas em qualquer situação que envolva uma situação em que tenha contato com outras pessoas.

Conclusão

Se você acredita que tem fobia social, a melhor solução é procurar um médico ou psicólogo. Certamente terá uma boa melhora em alguns meses. Caso conheça alguém que possa sofrer deste transtorno, converse com a pessoa e mostre que sua vida pode melhorar muito se procurar ajuda profissional.

Chega de sofrer! Procure ajuda profissional o quanto antes. Vai valer a pena!

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Fontes

ATENÇÃO

As informações contidas neste artigo não se destinam a substituir o tratamento com um profissional da saúde qualificado (médico ou psicólogo). As informações devem ser usadas apenas como referência e não servem como aconselhamento médico. Se você está lutando contra algum tipo de transtorno do humor, recomendamos que procure um terapeuta experiente. A combinação de boa informação e terapia fornece a forma mais eficaz de tratamento.

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