Entenda a Mitomania (compulsão por mentir)

Mentir é um comportamento tão característico do ser humano quanto comer e dormir. Pode tornar-se uma técnica eficaz, embora não muito honesta, quando se trata de ser aceito por aqueles que nos rodeiam ou mesmo para alcançar determinados propósitos.

No entanto, quando a mentira se torna uma necessidade e envolve todos os aspectos da vida da pessoa, é possível que ela sofra de um mal: a mitomania, um distúrbio psicológico no qual a pessoa mente permanentemente sobre sua vida.

Talvez você já tenha conhecido pessoas que sempre estão contando mentiras, uma atrás da outra. Muitas vezes dá a impressão que nem eles sabem mais o que é verdade ou não. Entenda melhor o que é mitomania neste artigo, depois conte-nos se já conheceu alguém com esse problema.

O que é a mitomania

A mitomania, também conhecida como mentira obssessivo-compulsiva ou pseudologia fantástica, foi originalmente conceituada em 1905, pelo médico e psiquiatra francês Ernest Dupré.

Embora o transtorno de mentira compulsiva não esteja incluído no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV), exceto como um sintoma de transtorno factício, muitos psiquiatras e psicólogos o consideram um distúrbio mental distinto.

A mitomania é uma tendência patológica à fabulação, sendo uma condição que define o comportamento de um mentiroso habitual.

Muitas vezes, as histórias imaginárias do mitômano são muito bem costuradas, pitorescas, induzindo à convicção. Eles criam uma realidade paralela tão boa que eles mesmos podem passar a acreditar nela, apesar de estarem cientes de que estão mentindo.

A pessoa mitomaníaca tende a ser sempre o herói ou protagonista de suas próprias mentiras, pois a principal motivação delas é deslumbrar os outros e, assim, alcançar admiração e fama.

Além disso, como essa necessidade de mentir consiste em um traço de personalidade, o sujeito mente cronicamente. Ou seja, não responde a uma situação social concreta, mas toda a sua vida gira em torno da mentira.

A falta de culpa

As pessoas com esse distúrbio não conseguem controlar suas mentiras. Elas também não sentem nenhuma culpa, independentemente de como as mentiras possam afetar aos outros ou a si mesmos.

A ausência de culpa é frequentemente o resultado do fato de o indivíduo ficar tão envolvido com a mentira que está dizendo, que começa a realmente acreditar no que está contando.

Quando são confrontados com uma mentira que contaram no passado ou com uma que estão contando atualmente, eles insistirão que estão falando a verdade, não admitirão que era mentira de forma alguma.

Com o tempo, o indivíduo se tornará tão hábil em mentir que será muito difícil para outros determinarem se eles estão, de fato, dizendo a verdade.

Quem sofre com esse problema?

Apesar de não estar completamente comprovado, algumas pesquisas sugerem que a mitomania tem uma incidência maior em homens.

Entre as principais características da personalidade dessas pessoas estaria o narcisismo, pouca ou nenhuma habilidade social, a baixa autoestima e uma tendência a desconfiar de outras pessoas.

Mentira compulsiva ou patológica

Algumas literaturas usam os termos compulsivo e patológico como sinônimos, porém há outras que indicam haver uma clara distinção entre as duas coisas.

Entenda como um tipo de mentira pode ser diferenciado do outro tipo:

Mentirosos compulsivos

  • muitas vezes mentem sem um motivo claro e, às vezes, sem um benefício real
  • preferem contar o tipo de mentira que eles acham que as pessoas querem ouvir
  • normalmente sabem o que é verdade e o que é mentira
  • sentem-se fortemente compelidos a mentir, porque é a única maneira que eles sabem de agir ou porque se sentem desconfortáveis ​​com a verdade
  • inventam mentiras com muita espontaneidade e sem precisar pensar muito para isso
  • é mais provável que admitam que estão mentindo quando são confrontados, embora isso possa não impedi-los de continuar mentindo

Mentirosos patológicos

  • sentem-se menos desconfortáveis ao mentir e exibem menos sinais de que estão fazendo isso
  • criam histórias extravagantes que poderão ser mantidas e/ou aprimoradas por longos períodos de tempo
  • tem mais controle quando estão mentindo
  • mentem com um motivo ou intenção claros
  • é comum acreditarem nas próprias mentiras. Eles tem um fraco controle da realidade
  • são mais propensos a ficar na defensiva quando uma mentira é contestada

O que causa a mitomania

A causa exata da mitomania não está totalmente determinada, mas há uma série de teorias que tentam explicar esse distúrbio. Sabe-se que há inúmeros fatores psicossociais envolvidos na questão.

Quanto às bases neuropsicológicas, algumas pesquisas apontam para um desequilíbrio neuronal na área do lobo frontal, além de uma quantidade maior de substância branca no cérebro.

Por outro lado, de acordo com diferentes hipóteses colocadas pela psicologia, a causa dessa condição é encontrada em um conjunto de traços de personalidade que tornam mais fácil para a pessoa sentir a necessidade de mentir para atrair a atenção ou para buscar carinho de outras pessoas ou apenas popularidade.

Existem teorias que indicam que a mitomania é, na verdade, um sintoma de outra condição psicológica mais importante que permanece subjacente, como o transtorno de personalidade antissocial e o transtorno de personalidade borderline.

Acredita-se também que a baixa autoestima e a tentativa de se proteger de situações constrangedoras marquem o início da mitomania.

Sintomas da mitomania

A mitomania é considerada uma necessidade imperativa de mentir. Ela pode ser considerada algo semelhante a um tipo de vício. Dessa forma, há uma série de características e sintomas comuns com outros vícios. Esses sintomas são:

  • aumento dos sintomas de ansiedade quando se está realizando o comportamento viciante. Nesse caso, a mentira.
  • incapacidade de resistir ao desejo de mentir.
  • diminuição da pressão psicológica ao mentir e não ser descoberto.
  • ideias e pensamentos constantes de natureza intrusiva.

Além disso, há outros sintomas importantes da mitomania . Entre eles podemos citar:

1. Baixa auto-estima

A necessidade de mentir é frequentemente aumentada pela baixa autoestima e pela incapacidade de se aceitar e de aceitar sua vida como ela é. Daí vem a necessidade de elaborar e expressar uma ideia de si mesmos que os faça parecer atraentes e interessantes.

2. Constante sensação de estresse

A sensação constante de medo de ser descoberto, o esforço de manter as mentiras e a criação permanente de cenários e contextos para não serem descobertos os leva a experimentar níveis persistentes de estresse, o que acaba desgastando-os em nível psicológico.

3. Ampliação da realidade

Às vezes, em vez de inventar uma história, o mitomaníaco amplia a realidade, superdimensionando-a e decorando-a para torná-la muito mais interessante e atraente. Além disso, essas pessoas tendem a gesticular de maneira exagerada ao acompanhar suas histórias.

4. Capacidade de acreditar em suas próprias mentiras

Embora isso não aconteça sempre, muitas pessoas que vivem com esse distúrbio podem assimilar ou acreditar em suas próprias mentiras. Acabam aceitando-as como se fossem verdades ou como se fossem situações vividas de maneira real.

5. Sintomatologia ansiosa

Devido à frustração e desencanto que experimentam com a realidade da vida, os mitomaníacos tendem a experimentar numerosos episódios de ansiedade como resultado da comparação de sua vida real com o que gostariam que fosse na realidade.

Finalmente, a mitomania pode ser vista como um sintoma mais típico de outros distúrbios psicológicos, como o transtorno bipolar, a esquizofrenia e transtorno de personalidade limítrofe (borderline), assim como acontece com alguns outros vícios, já que estes colocam a pessoa em uma situação de isolamento e grande necessidade de obter dinheiro.

A mitomania tem cura?

Os mitomaníacos percebem que estão sofrendo de uma doença e querem se curar, mas raramente procuram ajuda por conta própria. A compreensão dos companheiros ou familiares é muito importante.

É preciso fazer uma reintegração social da melhor maneira possível, trazendo o indivíduo positivamente à realidade.

A mitomania tem cura sim. Ela pode ser alcançada com terapia. Porém, em muitos casos é necessário um grande investimento de tempo e financeiro para que algum resultado possa ser observado.

Riscos para o mitomaníaco sem tratamento

Ser um mentiroso patológico ou compulsivo pode ter muitas consequências indesejadas. Relacionamentos e amizades tendem a ser destruídos devido à falta de confiança.

Com a progressão da doença, a mentira pode se tornar tão grave a ponto de causar problemas de ordem psicológica, social ou mesmo legal.

As pessoas ao redor do mitômano acabam perdendo a confiança nele, que acaba sendo excluído de grupos e por passar constantemente por situações embaraçosas.

Considerações finais

Se você acha que você está sofrendo de mitomania procure ajuda. Além desse problema ter uma tendência a tornar a sua vida muito mais difícil, ela pode desencadear outros problemas, ou ser sintoma de um problema maior.

Você pode melhorar muito, tornando a sua vida e a vida dos que vivem ao seu redor muito mais leves. Busque um psicólogo ou psiquiatra para saber o tratamento mais adequando ao seu caso. Você vai sentir uma diferença enorme depois de algum tempo!

Fontes:

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